Transporte de carga é o serviço de levar mercadoria de um endereço a outro em um veículo contratado, cobrado por viagem, por peso, por volume ou por palete. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) separa em 3 categorias quem pode cobrar por esse serviço na estrada: o autônomo, a empresa e a cooperativa. Cada uma precisa de registro, e saber isso antes de pedir orçamento já elimina parte dos problemas.
Este texto é para quem vai contratar e nunca contratou. Ele mostra qual veículo combina com cada carga, como separar frete dedicado de fracionado, o que entra no valor e como conferir tudo na entrega. Se a dúvida for mais ampla, o guia sobre os tipos de frete vem antes deste. Quem quer partir direto para a cotação encontra a página de frete de carga da Fretify.
O que é transporte de carga e quem pode fazer esse serviço?
É o transporte de mercadoria, material, paletes ou volumes avulsos, cobrado pelo trajeto. Em estrada, quem cobra por isso precisa estar inscrito no RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas).
Em consulta feita em 20/10/2026, a página oficial da ANTT informa que o RNTRC foi instituído pela Lei nº 11.442, de 5 de janeiro de 2007. A inscrição é obrigatória para o transportador rodoviário remunerado de cargas em uma de três categorias: TAC (Transportador Autônomo de Cargas), ETC (Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas) e CTC (Cooperativa de Transporte Rodoviário de Cargas). Os requisitos estão na Resolução ANTT nº 5.982/2022.
Regra muda. Antes de fechar, confira a situação vigente na página da ANTT. Para o caso do freteiro individual, o texto sobre o que é freteiro explica como o registro aparece na prática.
Carreto e mudança são serviços vizinhos, mas não são a mesma coisa. Carreto é o frete pequeno, em geral em utilitário, para poucos itens. Mudança é o transporte completo de uma casa ou de uma empresa. Este artigo trata de carga: mercadoria de um comércio, material de obra, estoque, equipamento.
Qual veículo contratar para cada tipo de carga?
O veículo certo é o menor que leva a carga inteira com folga para amarrar e proteger. Menor porque o valor do frete sobe com o porte. Inteira porque duas viagens custam mais que um veículo maior.
Use categoria, não marca. Um furgão pequeno (tipo Fiorino) e um utilitário leve atendem volume avulso. O caminhão 3/4 é o primeiro porte que costuma receber paletes. O toco, o truck e a carreta entram quando o volume ou o peso passa do que o porte menor aguenta.
| Veículo | Serve para | Quando não serve | O que perguntar antes de fechar |
|---|---|---|---|
| Furgão pequeno ou utilitário leve | Caixas, volumes avulsos, pequenas entregas dentro da cidade | Carga paletizada ou item que não passa pela porta traseira | Qual a carga útil do veículo, conforme o documento dele |
| Caminhão 3/4 | Poucos paletes, estoque de loja, material de obra em volume médio | Carga longa, pesada ou que precise de empilhadeira para descer | Se o baú é fechado e quantos paletes cabem |
| Caminhão toco | Carga de volume maior em trajeto urbano e regional | Viagem longa com muito peso, que pede mais eixos | Se há ajudante para descarregar ou só o motorista |
| Caminhão truck | Carga pesada em distância média ou longa | Rua estreita, doca baixa ou acesso com restrição de porte | Se o seu endereço de entrega recebe esse porte |
| Carreta | Carga de grande volume em viagem longa, com carregamento em doca | Cidade com restrição de circulação e entrega em local apertado | Quem carrega e descarrega, e quanto tempo de espera está incluído |
A capacidade exata varia por modelo e por carroceria. A informação confiável é a que consta no documento do veículo, não a que está na conversa. Peça a carga útil por escrito antes do dia.
Carroceria também conta. Baú é a carroceria fechada, e protege de chuva e de olhar. Carroceria aberta aceita carga alta ou longa, mas exige lona e amarração. Sider é o baú com lona lateral, que facilita carregar pelo lado. Carga que não pode molhar vai em baú. Para carga que exige temperatura controlada, o serviço é outro, o de carga refrigerada.

Frete dedicado ou frete fracionado: qual compensa?
Dedicado compensa quando a carga enche o veículo ou precisa de data e hora certas. Fracionado compensa quando a carga é pequena e você aceita dividir o espaço e o prazo com outras cargas.
No frete dedicado, o veículo é só seu naquela viagem. Você paga o veículo inteiro, ocupe ele ou não. No fracionado, você paga pelo espaço que usa, em geral por palete, por volume ou por peso, e a carga viaja junto com a de outros clientes. A contrapartida é o prazo: o veículo faz mais paradas e a entrega perde precisão de horário.
Faça a conta. Os valores a seguir são inventados só para ilustrar o cálculo, não são preço de mercado nem tabela da Fretify. Suponha um frete dedicado fechado em R$ 900,00. Se ele levar 12 paletes, cada palete custa R$ 75,00. Suponha agora um fracionado cobrado a R$ 95,00 por palete.
Com 6 paletes, o fracionado sai em R$ 570,00 e vence o dedicado. Com 9 paletes, sai em R$ 855,00 e ainda vence, por pouco. Com 10 paletes, sai em R$ 950,00 e perde. O ponto de virada é o valor do dedicado dividido pelo preço do palete: R$ 900,00 ÷ R$ 95,00 dá 9,47. Até 9 paletes o fracionado paga; a partir de 10, o dedicado.
O palete padrão brasileiro mede 1,00 m por 1,20 m. Se a sua carga está solta em caixas, conte quantos paletes ela forma antes de pedir cotação. É a unidade em que a maioria das propostas de fracionado é montada.
O que entra no valor do frete e como comparar propostas?
O valor depende de distância, peso, volume, tipo de veículo e condição de acesso. Duas propostas só são comparáveis quando cobrem a mesma carga, o mesmo trajeto e o mesmo que está incluído.
Converta tudo para uma unidade. Para viagem, é o valor por quilômetro: se um frete de R$ 900,00 cobre 150 km, a conta dá R$ 6,00 por km (também ilustrativa). O texto sobre frete por quilômetro rodado detalha como esse número é formado e onde ele engana. Para carga, é o valor por palete ou por metro cúbico (m³).
Depois olhe o que muda o total sem aparecer no primeiro valor:
- Ajudante para descarregar: pergunte se está incluído ou se é por hora.
- Hora parada: tempo de espera na doca ou na portaria costuma ser cobrado depois de uma tolerância.
- Pedágio: pergunte se já entrou no valor ou se é repassado.
- Retorno do veículo vazio: em viagem longa, pode estar embutido.
- Acesso: rua que não comporta o porte do veículo obriga a transbordo ou a um veículo menor.
Some uma hora ao prazo de descarga se a carga desce por escada ou por rampa sem equipamento. Faça a conta dessa hora com o valor que o prestador cobrar. Se a proposta mais barata não inclui ajudante e as outras incluem, a diferença some.
Existe também o piso mínimo de frete da ANTT, uma regra própria, com tabela oficial e limites de aplicação. Ela é assunto de outro texto: o piso mínimo de frete da ANTT e o que ele cobre. O valor que você vai pagar é fechado entre você e o prestador. Nenhum número deste artigo é preço fechado por plataforma.
Que documentos e cuidados a carga exige antes de sair?
A carga precisa sair identificada, embalada para a viagem e acompanhada do que o tipo de mercadoria exige. O que exatamente varia com o que você transporta, e a conversa com o seu contador e com o transportador resolve o que a regra pede no seu caso.
Dois documentos de rotina ajudam em qualquer carga. O primeiro é o romaneio, a lista do que está sendo enviado, com quantidades. O segundo é o registro do que foi combinado: carga, endereços, data, janela de horário e valor. Ele também protege o prestador.
Na embalagem, o princípio é simples. A carga que vai em palete sai amarrada e envolvida em filme, com a face mais frágil para cima e sem sobra para fora do palete. Caixa solta vai fechada, com peso que o fundo aguente. Carga em carroceria aberta sai coberta e amarrada, com o ponto de amarração conferido.
Se a carga tem alto valor ou é frágil, pergunte pelo seguro de carga. O seguro cobre perda e dano em condições definidas na apólice, e o nome do produto e a cobertura mudam com a seguradora. Peça a condição por escrito. Avaria é o nome do dano à carga durante o transporte, e o seguro é uma das formas de tratar quando ela acontece.
Como confirmar que o transportador é regular?
Peça o número do RNTRC e consulte na página pública da ANTT. A consulta é gratuita e leva poucos minutos.
A ANTT mantém uma consulta pública ao RNTRC. Com o número do registro, ou com os dados do transportador, você vê se o cadastro existe e em que situação está. Se o prestador se recusa a informar o número, tome isso como resposta.
Confira também se o veículo que vai buscar a carga é o mesmo que consta na proposta. Parece detalhe e é onde muito acordo se desfaz.
A Fretify reúne freteiros e transportadoras por cidade e o pedido de orçamento é feito pelo WhatsApp, sem custo para o cliente. A plataforma não garante que haja prestador disponível em uma cidade específica, e a lista de uma cidade não é filtrada por serviço: a própria página informa quantos prestadores declaram cada serviço. Em Campinas (SP), por exemplo, o diretório mostra os perfis disponíveis no momento da consulta. As demais cidades estão no índice de cidades.
Como combinar o frete e conferir a entrega?
Combine por escrito antes de o veículo sair e confira a carga na hora do descarregamento, ainda na frente do motorista. O que foi aceito sem ressalva no ato é mais difícil de contestar depois.
Uma mensagem curta resolve boa parte do combinado. Dá para enviar pelo WhatsApp: “Confirmando: 8 paletes de caixas fechadas, coleta no dia combinado entre 8h e 10h, entrega no endereço enviado, ajudante incluído, valor fechado conforme proposta. Pode confirmar?” O prestador responde, e a conversa vira registro. O texto o que combinar por escrito antes de aceitar um frete traz a lista completa.
Na entrega, siga uma ordem:
- Confira a contagem de paletes ou volumes contra o romaneio antes de assinar.
- Olhe a embalagem de cada volume: amassado, molhado, rasgado.
- Fotografe qualquer dano ainda no veículo, com o volume ao lado.
- Escreva a ressalva no comprovante de entrega, com a descrição do dano.
- Avise o prestador pelo mesmo canal em que combinou, no mesmo dia.
Quem recebe e assina sem olhar tira a própria força na hora de reclamar. A conferência leva poucos minutos em uma carga de poucos paletes e custa menos que a disputa depois.
Perguntas frequentes
Posso contratar um freteiro autônomo para transporte de carga?
Pode, desde que ele esteja regular para cobrar pelo serviço. Peça o número do RNTRC e consulte na página pública da ANTT antes de fechar, e deixe o combinado por escrito.
Qual a diferença entre carreto, frete e mudança?
Frete é o nome geral do transporte de carga contratado. Carreto é o frete pequeno, em geral em utilitário, para poucos itens. Mudança é o transporte completo de uma casa ou de uma empresa, com ajudante e proteção dos móveis.
Frete dedicado é sempre mais caro que o fracionado?
No total, costuma ser. Por palete, depende do quanto da capacidade você usa. Divida o valor do dedicado pelo preço do palete no fracionado: o resultado é o ponto a partir do qual o dedicado compensa.
Preciso de seguro para transportar carga?
Depende da carga e do que foi combinado. Para carga de valor alto ou frágil, pergunte pela cobertura de seguro de carga do transportador e peça a condição por escrito. A regra sobre seguro obrigatório varia por tipo de transportador e muda com o tempo, então confira na fonte oficial.
Dá para contratar transporte de carga de última hora?
Às vezes, mas a disponibilidade varia e ninguém pode garantir. Quanto mais cedo você informar carga, endereços e janela de horário, mais propostas comparáveis chegam. Para urgência, peça o orçamento a mais de um prestador ao mesmo tempo.
O que faço se a carga chegar danificada?
Fotografe, escreva a ressalva no comprovante de entrega e avise o prestador no mesmo dia, pelo canal em que combinou. Se houve seguro, a ressalva e as fotos são a base para acioná-lo.



